Imprensa
Soltando o verbo

Uso correto do idioma traz credibilidade e favorece as relações interpessoais

Ser fluente em inglês e conhecer outras línguas tornou-se uma obsessão para alguns. Na ânsia de aprender novos idiomas, vários profissionais se descuidam do português. As conseqüências logo aparecem. Em entrevista de trabalho, deslizes gramaticais podem levar à eliminação sumária do candidato.

Na comunicação escrita, e-mail com erros ortográficos ou de concordância prejudicam a compreensão do texto e arranham a imagem do emissor. E o que dizer do alto executivo cujo discurso está repleto de “para mim fazer” (sic)? Ninguém ousa corrigi-lo, mas muitos colocam em xeque até mesmo sua competência profissional.

O uso inadequado do idioma provoca ruídos na comunicação e impacta as relações interpessoais, o que pode prejudicar o desempenho nos negócios. Atentas a isso, algumas empresas estão investindo em programas de comunicação verbal e escrita que vão muito além dos tradicionais cursos de oratória. Nesta edição, consultores que trabalham em parceria e uma executiva de recursos humanos falam sobre o tema.

LETTERINO SANTORO
Conferencista, instrutor e diretor da Comunicando com Você

“A ascensão profissional é hoje muito rápida, exigindo dos executivos uma exposição cada vez maior. A habilidade de comunicação passa a ser um requisito fundamental, tanto nos contatos pessoais com diferentes interlocutores como em reuniões, palestras ou eventos dirigidos a públicos maiores e heterogêneos. Ter domínio do idioma é um passo importante, uma vez que tranqüiliza o orador, aumenta sua autoconfiança e evita que o interlocutor concentre sua atenção em um possível erro, e não na mensagem. Quanto mais qualificada a platéia, maior o nível de exigência. Além de desagradáveis, erros de português comprometem o discurso e têm um efeito colateral desastroso: colocam em dúvida a capacidade do executivo e, conseqüentemente, da companhia para a qual ele trabalha. Para uma comunicação bem-sucedida, é preciso mais do que decorar regras gramaticais e utilizar modelos de conduta ditados em cursos de oratória que se limitam a preconizar receitas prontas. Nessas circunstâncias, corre-se o risco de atuar de forma robotizada, sem transmitir credibilidade.

O idioma e as técnicas de apresentação constituem o esqueleto do processo, mas devem ser trabalhadas de forma integrada com o que lhe dá corpo e alma: a dimensão psicológica e comportamental que envolve o autoconhecimento e a percepção das idiossincrasias do relacionamento humano.”

MARISA DE MITRI
Especialista em comunicação escrita e diretora da Expressão Consultoria e Treinamento

“Expressar-se bem é algo que transcende o uso correto do idioma e ultrapassa as fronteiras individuais. A comunicação clara e sem ruídos favorece as relações entre as pessoas, o que impacta positivamente o rendimento do time. Muitas vezes, os executivos se surpreendem quando convidados a participar de um programa de treinamento que envolva o aprendizado da língua portuguesa. Aos poucos, no entanto, vão se dando conta da importância de dominar o idioma para expor com mais clareza suas idéias, evitando ambigüidades.”

MARGARET MARRAS
Diretora de recursos humanos da Reuters para América Latina

“Por sermos uma empresa internacional, o inglês é preponderante em nossa comunicação, o que criou uma realidade inusitada: estávamos nos expressando melhor na língua estrangeira do que em português. Em um processo de resgate do nosso idioma, promovemos internamente um curso de expressão oral e escrita. Além de melhorias de performance individual, a iniciativa trouxe resultados mais amplos. O nível de empatia e a sinergia aumentaram, melhorando as ralações interpessoais. A comunicação, por sua vez, tornou-se mais ágil e objetiva, como requer uma empresa que trabalha em tempo real e, portanto, não tem um minuto a perder.”

Por Thais Aiello

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